quinta-feira, novembro 30, 2006

Mão na mão

Era uma vez um rapaz de olhos castanhos como o fruto e uma menina de olhos verdes como os campos alentejanos de Março.

Estavam a brincar os dois aos castelos de areia numa praia do litoral virgem alentejano. O castelo era enorme: tinha 5 torres, um átrio muito grande e várias dúzias de janelas. Os meninos imaginavam-se como um cavaleiro e a sua princesa. Passavam horas e horas sem que se dessem conta.

Certo dia, uma onda desfez o castelo! Muito tristes bateram na água tanto tanto, que ficaram todos molhados e sujos de areia com os salpicos. O mar forte e revoltado nem se preocupou com o chapinhar das crianças... Os meninos olharam um para o outro e soltaram uma gargalhada sincera. Deram as mãos, caminharam um pouco pela beira-mar e escolheram outro sítio para construir um novo castelo. "Desta vez maior! Diferente! Mais forte!" - Prometeram um ao outro.

Felizes aqueles que têm alguém ao lado; que mão na mão vão crescendo juntos e sorrindo. Porque o mundo não é pequeno, mas imenso como o mar.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Porquê?

Sussuro o teu nome na bruma do anoitecer. Vou bem fundo cá dentro e sinto-te perto. Em todos os recantos vejo o teu nome escrito...

Chego a casa, tomo um duche rápido, faço a barba para amanhã ficar na cama mais 5 minutos, faço o jantar e sento-me a ver televisão. Nunca dá nada de especial a esta hora! Ligo o portátil e revejo fotografias nossas. Fumo um cigarro à janela. Vejo um casal a beijar-se num carro. Fez-me lembrar aquela noite na Ericeira. Era Inverno, o mar estava revoltado e nós dois dentro do carro a olhá-lo. Lembras-te desse fim-de-semana? Dormimos pela primeira vez em conchinha a tocar um no outro! Finalmente habituei-me a dormir com alguém! Tu sabes que tenho insónias e me custa adormecer.. Sentir-te perto de mim sabe-me bem. Sentir o calor do teu corpo, o mel dos teus lábios em cada beijo merecido e sentido. Abracei-te por trás e sussurei-te: “Amo-te!”. Tu moveste lentamente os ombros, num gesto de aceno, e com um sorriso no rosto, que não podia ver mas senti, disseste-me: “Eu também!” E ficámos ali até ao Domingo seguinte, como se nada mais nas nossas vidas nos importasse.

Voltámos para Lisboa! Trânsito insuportável! Eu odeio condutores de fim-de-semana! E tu também! A música no carro tem ritmo! Vamos cantalorando os dois durante toda a viagem de regresso passando por algumas praias da costa Oeste. Existem por aqui praias de nudistas, mas nós procurámos e não encontrámos nada!

Quando chegámos a Lisboa fomos passear pela baixa. Havia um grupo de miúdos a correr e a rir, fugindo da monitora desesperada com tantos e tão reguilas que eram. Sempre quisémos ter um filho! Com caracóis! Lindo como nós dois! “O nosso filho vai ter caracóis e olhos verdes!” dizes-me tu com um sorriso enorme.

Chegámos a casa e fui a casa de banho! Estava tão aflito! Quando chego à sala, tinhas apagado as luzes e estavas-te a despir por completo e em silêncio. Estupefacto, parei! A luz dos candeiros da rua que passa pela janela semi-cerrada contornava a tua silhueta de uma forma bela e única. Nua aproximaste-te de mim e despiste-me. Com uma voz sexy e doce pediste-me para te seguir até ao quarto. Mergulhámos um no outro de uma forma quente e apaixonante, louca e vertiginosa. Fizemos amor como nunca. Quando terminámos, os nossos lábios ardiam, o suor escorria nos nossos corpos. Fumámos um cigarro!

Olhei para ti e tinhas um ar estranho. “Conta-me o que se passa!”, pedi-te. “Fala comigo!”, implorei-te. Tu nem te esforçaste por um gesto, um mimo. Comecei a desesperar... Fitaste-me o olhar e soltaste tudo. Disseste-me, num discurso estudado, que tinhas dúvidas se me amavas. Que tinhas estado bem sem mim. Que não tinhas saudades minhas. Começaste a chorar e eu abraçei-te e disse-te que te amava, que tudo se iria resolver porque se tudo o que for mais sagrado e verdadeiro, o for de facto, será universal e intemporal. Não queria acredidar no que estava a acontecer. Levantaste-te, vestiste-te e partiste.

Durante semanas não soube de ti. A tua mãe ligou-me uns meses mais tarde a dizer que estavas no hospital e querias-me ver. Voei até Santa Maria. Querias falar comigo, mas eu cheguei tarde demais. Escreveste-me uma carta:

“Descobri que tinha uma doença incurável em fase terminal e não te quis preocupar. Quis-te poupar a todo o sofrimento de me veres morrer lentamente... Perdoa-me.
Contigo descobri o que é amar alguém e, por isso mesmo, deixei-te voar sozinho. Sei que vais encontrar alguém e dar-te da mesma forma extraordinária como te deste a mim.
Perdoa-me por tudo! Perdoa-me por ter de ser assim!
Amo-te.”

Hoje vejo-te em todos os locais, todos gestos e todos sons. E cada vez que te vejo, uma lágrima escorre-me pelo rosto.

Amo-te.


NOTA: Ainda bem que é só um conto! Ouch! É estranho que quando mais feliz e contente estou, mais triste é a minha escrita! Estranha coisa esta da mente!

terça-feira, novembro 28, 2006

Que noite!

Chego a casa cansado. Procuro-te e não te vejo. Lentamente sinto tua respiração no quarto. Chamas por mim... Quando te encontro deitada na cama, com umas rendas curtas e tapar pudicamente algumas zonas do teu corpo, fico estupefacto. Não quero acreditar no que os meus olhos veêm!

O quarto cheira a Outono dos bosques mais remotos. Sento-me perto de ti. O teu corpo tresandava a desejo. Percorro todas as linhas do teu corpo, aproveito cada canto, saboreio todas as zonas e aproveito-te como se fosse a última vez! Sussurras-me ao ouvido palavras doces e selvagens, delicias-te comigo... Pouco a pouco, entrego-me e tu segues-me.

Esta noite quiseste ser a minha puta preferida. Entreguei-me como forma de pagamento. Não me importei porque sei que quando acordar, tu estás aqui ao meu lado, mão na mão, como sempre, como dantes.

Amo-te.

Só isso! Lembrei-me!

Passamos a vida inteira a querer ser grande e, quando nos apercebemos que é tão bom ser criança, crescemos. Eu cresci. Cresci com medo, dificuldades, obstáculos, mas cresci. Por vezes esse medo, esse receio das consequências, o medo de dizer "gosto de ti", o medo de sofrer, magoar, arriscar, sufoca-nos a alma. Ter medo é bom! Mas ter medo e não experimentar, ter medo e fugir é castrador! Como ultrapassar esses medos?

Ontem encontrei a mesma mulher naquele restaurante onde almoço. Olhei-a e vi uma mulher com sonhos de menina. Ora cheia de medo e assustada ora forte e determinada. Ora alegre ora triste. Ora cansada ora cheia de vida. Ora rabugenta ora encantadora. Ora ciente do que quer ora confusa e sem orientação.

Lembrei-me, naquela confusão de tentar descrever a mulher que via, dos vários diferentes beijos que trocádos: os de rotina, os apaixonados, os de novidade, os de amizade, os de descoberta, os de ilusão, os doces e os salgados, os de obrigação, os sensuais,...

E? Nada mais! Só isso! Lembrei-me!

domingo, novembro 26, 2006

Grita!

Por favor, grita! Grita com todas as forças! Grita até não puderes mais! Mostra-te! Como o choro de um bébé com fome, grita! Pede a mão de alguém!

Ter-te amado foi tão simples que ainda não acordei.

quarta-feira, novembro 22, 2006

É meu !!!!

Gente perdida...

Por vezes encontramos, entre os livros, discos, cassetes, CDs perdidos lá para casa, palavras que sempre ouvimos mas nunca nos tinhamos dado conta do seu verdadeiro significado... Reparem nesta letra de Mafalda Veiga!


Eu fui devagarinho
Com medo de falhar
Não fosse esse o caminho certo
Para te encontrar
Fui descobrindo devagar
Cada sorriso teu
Fui aprendendo a procurar
Por entre sonhos meus

Eu fui assim chegando

Sem entender porquê
Já foram tantas vezes tantas
Assim como esta vez
Mas é mais fundo o teu olhar
Mais do que eu sei dizer
É um abrigo pra voltar
Ou um mar para me perder

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
A gente finge
Mas sabe o que não é verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta

Eu fui entrando pouco a pouco
Abri a porta e vi
Que havia lume aceso
E um lugar pra mim
Quase me assusta descobrir
Que foi este sabor
Que a vida inteira procurei
Entre a paixão e a dor


Não! Eu não me sinto perdido como "essa gente"! Estou de tal forma sereno que quase me assusto! Gostei de ouvir esta música hoje! Uma música que ouvi vezes e vezes sem conta durante longos anos e nunca tinha dado importância à letra!

Há coisas fantásticas, não há? Tentem limpar o pó de um CD, disco ou livro antigo! Ouçam-no ou leiam-no outra vez! A vida tem ciclos! O que ontem não foi verdade, é-o hoje! E o que hoje é mentira, amanhã pode ser verdade! Deixem-se levar...

domingo, novembro 19, 2006

Diamonds are the girls best friend

Diamonds are the girls best friend ! E os homens têm alguma coisa na vida que os faça sentir bem? A resposta é, peremptoriamente, sim! Não há nada que faça um homem mais feliz que poder, carros ou mulheres!

sábado, novembro 18, 2006

Coragem!

No sol de inverno
vejo o teu sorriso,
acendendo meu desejo,
e a vontade enorme
de que o teu beijo,
num gesto apetecido
e no momento preciso,
volte a crescer uniforme.

A vida cala-nos
em esperança veloz
e os sonhos perdem-se
em amores desdenhados.
Que sina atroz!

Ver o destino
e ficar parado
deixa-me revoltado.
É preciso coragem!
É preciso ser-se feroz!

Um almoço...

Sento-me no restaurante de sempre. O sol de inverno aquece-me a pele. Na mesa do quanto vejo uma mulher lindíssima: pele morena, olhos castanhos, longos cabelos negros. As feições suaves do rosto lembram-me outros amores. Os lábios encarnados de desejo despertam em mim um pulsar interior acelerado.

Almoço como sempre, como dantes. Os nossos olhos cruzam-se. Durante leves segundos conhecemo-nos no olhar. Viajo por entre o seu corpo, imagino as linhas, contornos e formas. Ela solta um leve sorriso tímido e atrevido.

Habitualmente não peço sobremesa, mas naquele dia apeteceu-me. Leite creme com açucar queimado. Convidei-a para se juntar à minha mesa. Ela sorriu, bebeu um gole de vinho e humedeceu os lábios.

Aproximou-se como quem dança sensualmente. Senti um gemido interior. Nada mais existia naquela sala: só eu e ela. O ar tresandava a um misto de paixão e receio. Era um ar quente sofucante. Desapertei a gravata e o botão da camisa.

- "Olá!"
- "Sou o Vasco."

Beijei-lhe vigorosamente as maças do rosto.

terça-feira, novembro 14, 2006

O rapaz dos caracóis...

Nota: este post é fictício na sua íntegra. Foi fruto de devaneios mentais. Não é auto-biográfico, nem pretende ser. Dedico-o a todos os apaixonados que ainda escrevem cartas de amor.

Ontem vasculhei memórias de outros tempos. Tempos em que se escreviam cartas. Vi um rapaz de caracóis sereno, com os olhos embergados de paixão a gatafunhar num papel. Quando acabou, sorriu para mim e deitou fora os gatafunhos. Curioso, aproximei-me e li:

O vento fresco da manhã envolve a minha pele com a mesma doçura com que me olhas. De repente deu-me uma saudade imensa daquele tempo em que tínhamos menos preocupações, daquele tempo em que nossas mentes e almas estavam dedicadas e dirigidas apenas para o prazer e para a satisfação do outro. Relembro esses tempos em que sorríamos com mais naturalidade e só o simples facto de estarmos juntos, era por si só fantástico. Tornamo-nos exigentes demais! Estamos viciados numa mania estranguladora de procurar em lugares distantes algo que talvez esteja mesmo diante de nós.

Parei para pensar um pouco e concluí que ainda é possível revivier aquela época em que ausência do outro nos despertava a mais feroz das saudades, aquele tempo em que a chegada do outro nos fazia transbordar de felicidade.

Agora o manto da noite cai lentamente envolvendo-me numa bruma apaixonante. Tu não estás. Pouco a pouco a saudade invade-me e fico aflito a olhar para a porta, à espera que tu chegues de surpresa a qualquer momento. No meu peito ouço o bater de prazer e ternura.

Interrompo o devaneio de imaginar esse reencontro. Levanto-me de forma fugaz e sirvo-me de um copo de vinho. Aos poucos sinto-me mais feliz, porque o vinho contido neste copo traz-me os aromas frescos dos bosques e dos elementos que me alimentam o espírito. É através deste vinho que me chegam sensações, onde as dúvidas se desvanecem e o existir se torna claro e límpido como o nosso amor. É da natureza brilhante e transparente do vinho que me chegam respostas reveladoras e a consolação para todas as dores que a tua ausência me provoca.

Queria brindar contigo! Queria brindar ao amor que habita nas nossas almas!

Vou-me deitar mais uma vez sozinho, mas não são poucas as vezes em que me descubro a procurar o teu corpo na minha cama. Dou-te a mão e fecho os olhos. Sinto os teus cabelos no meu ombro, cruzo o meu braço sobre ti e acaricio o teu ventre por toda a madrugada, por toda a minha vida.

É tão bom ver emoções tão fortes num rapaz tão novo... O rapaz olhou o céu e, enquanto acariciava os seus caracóis, esfregou os olhos e levantou-se com um sorriso enorme do tamanho do mundo.

Depois de ler, notei que dos meus olhos caiam lágrimas. Não de desespero, mas sim de felicidade. Fui tocado por um anjo...

Oups...

Instrumentos desconhecidos deflagraram-me a alma e, num impulso frenético, as palavras querem soltar-se dos meus dedos.

Um dilúvio de emoções cresce no meu corpo de dia para dia num hálito invisível aos demais. Algo maior. Diferente. Quero perceber se vale a pena.

A universalidade e a intemporalidade parecem segundos efémeros e os minutos passam cada vez mais rápido! Os dias voam! Quem me tem feito voar se já não existem anjos?

A vida vai acontecendo e cada um de nós corre à sua maneira. Seguramente vamo-la ganhar (cada um por si!), de asa dada uns com os outros, como o temos feito sempre.

Façam-me um favor: ofereçam a vossa asa ao vizinho, ao amigo, ao desconhecido... Só assim voaremos todos! O mundo é tão grande!

quinta-feira, novembro 02, 2006

The End!

Este blog tornou-se obsoleto.
Até já.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Idade do juízo

Ao juízo nos homens dá-se o nome de maturidade. Sim mulheres, os homens também sentem essa chamada do juízo.

O juízo chega nas fases mais complicadas da nossa vida. A libertinagem alcoólica e sexual deixa de ser o mais importante. Damos valor a novas e simples atitudes, acções, olhares e toques. Descobrimos que o tempo é finito e que passa por nós como vento. Desvendamos os segredos da nossa vida e percebemos o que fizemos e não fizemos com ela. Descortinamos os amores que desdenhámos, com frieza e ironia de quem não quer responsabilidades, e as curvas da nossa rota que optámos por seguir. É este o momento de juízo da nossa vida: em que todas as certezas em que assentámos a nossa vida se desmoronam como baralhos de cartas. Como um tremor de terra igual ao momento em que aquele que supúnhamos ser o amor da nossa vida se evapora e nos deixa sozinhos, a olhar para as estrelas, à espera de uma explicação para o facto.

Somos anjos de uma asa só. Só conseguimos voar quando nos abraçamos um ao outro. O meu anjo será alguém único, forte e lindo. Alguém que me possa orgulhar e goste de mim pelo que sou. Que me agarre e puxe para o vôo. Que me estimule e me faça mais e melhor. Que aceite as minhas loucuras e não se sinta inferiorizada quando estou em alta e me apetece brilhar no firmamento. Alguém que compreenda que é mais difícil manter uma relação do que construir uma nova. Alguém que se empenhe com trabalho árduo na relação. Alguém que não me tome como garantido, porque eu sou estrela e tenho uma manutenção dispendiosa. Alguém verdadeiro.

Se eu quero isto tudo, espero conseguir dar isto tudo a alguém também. Por enquanto digo adeus ao que mais quero e vou fingindo que não vou voltar...

Até já.