domingo, janeiro 07, 2007

Voôs

Os olhos abrem-se ainda colados do sono reparador. Os números encarnados a piscar dizem-me as horas que à primeira vista não os percebo. Pouco a pouco entendo o que me diz: são duas da tarde. Rebolo para o outro lado da cama para fugir aos raios que rasgam o quarto entre a janela semi-aberta. Não quero acordar. Não quero voltar a sentir nem mais um dia de ansiedade. A luz desperta-me a mente e, passinho e passinho, o cérebro vai arrancando. Imagino o que irei fazer neste Domingo. Descansar é uma boa hipótese. Mas não me apetece ficar em casa. O sol lá fora excita-me os sentidos e num salto frenético de energia explosiva levanto-me e vou tomo um banho rápido. Visto qualquer coisa, pego no meu carro e saio de casa.

Há dias em que ficar na cama me parece a melhor alternativa, outros que ficar na cama é ver a vida passar.

Não gosto de ver a vida passar. Gosto de dar passos na minha vida. De certeza me levarão a bons portos. Passo a passo. Devagarinho. Nunca com pressões e obrigações (que nos sufocam e nos prendem a um passado que jamais voltará). Ter a coragem de saltar do precipício é uma boa máxima. Saltar sem saber se o paraquedas vai abrir ou se vai aparecer um anjo que nos salve da queda. Na realidade, esse passo para o precipício é a única forma libertadora porque, de certeza, tudo irá mudar quando estivermos a cair vertiginosamente. O despenhadeiro é uma oportunidade de vida. Dar o passo em frente é buscar a felicidade. Nem que seja a felicidade de nos sentirmos livres durante os breves segundos da queda! Afinal, todos sonhamos voar! Coragem! Mas calma! Os humanos ainda não têm asas!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Parece parece...

Um quarto vazio... O amanhecer rasga os olhos e no chão está roupa espalhada e um livro. Na cama, os lençois enrolados transpiram ainda suores de prazer. Na janela uma silhueta preocupada. O movimento do seu corpo prova-me a sua deslealdade. Já nada é intacto e o vento matinal sabe-lhe a amargo. As mãos na cabeça baixa, dançando com os despenteados cabelos, demonstram preocupação, insatisfação, saturação e aflição.

De súbito uma voz amiga passa-lhe as mãos pelos ombros e sussura-lhe: "Vai ficar tudo bem! Só precisas de te organizar."

Ele, assustado mas decidido, pega na roupa suja do chão e coloca-a no cesto, apanha o livro e junta-o aos outros da estante, faz a cama de lavado, deita fora os lenços ranhosos da noite, toma um banho, faz a barba, veste a roupa mais confortável que tem, faz o almoço e um bolo para o lanche, arruma a cozinha, telefona à namorada e vai passear pela baixa de mão dada.

Ficou tudo bem! Ele só precisava mesmo de arrumar a casa e voltar a estar com aquela mulher com quem passou mais uma noite fantástica.

Eu bem vos tinha dito: nem tudo o que parece é, mas tudo o que é parece. Hoje é sexta-feira. Faça com que tudo o que é pareca. Não finja! Não fuja! Somos únicos e verdadeiros! Só nos falta parecer! Ou será que parecemos únicos e verdadeiros e só nos falta ser?

De quem parece aquela silhueta?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Um mimo

Este Natal não quis nada no presépio nem debaixo da árvore. Mas recebi tanto!

Foi um Natal diferente, onde o melhor presente que tive foi um sorriso de felicidade na tua cara. Estavas tão feliz!

Depois vieste ter comigo. Aconchegaste-te em conchinha perto de mim e ali ficámos os dois no mimo.

Xiu! Deixem-nos estar assim...

Feliz 2007

quarta-feira, dezembro 20, 2006

segunda-feira, dezembro 18, 2006

6º sentido

Existirá realmente um 6º sentido nas mulheres? Alguém duvida da sua existência? Serão as mulheres espias de Deus? Vou parar e reflectir. Até já.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Silêncio...

Xiu... O mundo precisa de um pouco de silêncio! Xiu...

Já volto.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Zzz..

Xiu! Não digas nada! Deixa-te estar aí!

Xiu! Não façam barulho! Deixem-nos!

Xiu! Já disse xiu!

Argh! Eu sei! Por isso mesmo, XIUU! Deixem-nos em paz!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Cena III

Sorriste-me e disseste: "Anda p'ra aqui! Está frio!"
Piii! Piii! Que raio?? Ahh... o despertador! Era o despertador. São 8 da manhã e tenho-me de levantar para mais um dia de trabalho!

Bem o sonho foi bom.

Cena II

(...) Nesse momento de redescoberta, sussurraste-me ao ouvido: tive saudades tuas.
As tuas palavras furaram-me os tímpanos como uma agulha afiada rebenta um balão de uma criança! Fiquei atordoado com esse sussurro! Afastei-me de ti um pouco e, quando senti a tua perna enleada a meu corpo, caí redondo no chão! Tu caíste comigo. Rimos tanto que parecíamos duas crianças e rebolar na areia molhada da praia. Como quem mergulha em ondas de 5 cm à beira-mar, fomos escorregando pelo chão frio. A sua temperatura arrefecia o ambiente escaldante. E nós, rindo. A nossa alegria iluminava a sala. O nosso riso ecoava por toda a casa. Já me doía a barriga de tanto rir. Tu estavas com aquela cara parva de felicidade... surpreendentemente parámos os dois de rir exactamente no mesmo segundo. Com uma expressão de cumplicidade arrebatadora, sorrimos os dois e abraçámo-nos. Um abraço profundo e tenro.

Levantei-me do chão. Dei-te a mão a puxei-te para o quarto ainda iluminado com as velas que me acompanhavam todas as noite ao deitar. O quarto cheirava a um misto de papoilas e castanhas. Estranhámos o odor, olhámo-nos e sorrimos.

Sem que eu desse conta, tiraste a blusa e a saia e enfiaste-te dentro dos meus lençóis. No meu olhar existia um sorriso. No teu um mistério. Sorriste-me e disseste: "Anda p'ra aqui! Está frio!"


Cena I

Senti-te chegar. Fechei o olhos e saborei o aroma que rasgava o ar frio deste inverno. Deixei-me estar de olhos fechados, não fossem os meus sentidos pregarem-me mais uma partida.

Pouco a pouco, o ar refeito ficou mais quente e cada vez mais arrepiante. Serias mesmo tu? Senti um toque doce no ombro. Aquele toque como quem me avisa para parar de dormir e acordar porque a realidade estava mesmo a acontecer. Não abri os olhos. Deixei-me estar.

As tuas mãos percorreram-me do ombro ao meu peito no deslizar suave e meigo. A tua respiração reprimiu a minha. Os teus lábios saborearam-me a nuca como se me quisessem acalmar a alma. Os teus seios abraçaram-me as costas num perdão sincero. A tua perna direita enleou-me a cintura e confundiu-me os sentidos.

Grito! Não quero acordar! Não quero acordar! Mas numa explosão de energia raivosa e zangada os meus olhos abriram-se! Voltei-me para ti para ver quem eras! Tinhas uma saia verde linda.

De forma natural a minha alma acalmou-se enquanto a minha respiração se tornava mais intensa e profunda. As minhas mãos pousaram nas tuas ancas. Foram os meus polegares quem primeiro sentiram a tua pele. Pouco a pouco, os outros dedos ciumentos, subiram pelas tuas costas. Fervíamos os dois de paixão mas não quisemos apressar nada. Puxaste-me para ti. A tua mão redescobria o meu corpo e as minhas, mais atrevidas, deslizavam para baixo até às tuas coxas. Por baixo da saia verde, as minhas mãos iam subindo enquanto o meu pescoço era atacado pela tua boca. Num gesto duro e seguro, apertei-te o ventre e um gemido preso quis-se soltar. Era um grito mudo que a tua voz doce queria libertar. Senti o fresco algodão das tuas cuecas. Senti-o quente e húmido. Nesse momento de redescoberta, sussurraste-me ao ouvido: tive saudades tuas.

domingo, dezembro 10, 2006

Ele tentou!

- O que tens?
- Já te disse que nada!
- Não me enganas! Eu conheço-te!
- Nada!
- Pronto, está bem não é nada!
- Sim, não tenho nada!
- Claro que não tens nada! Vou sair, vens?
- Não! Espera! Onde vais?
- Vou dar uma volta enquanto não te passa o "nada".
- Mas...
- Até já!
- Espera! É que estou assim...
- Assim como?
- Assim...
- Eu sei como é. Sei o que eu sentes! Até já.

Ele saiu. Deu uma volta pela cidade. Pediu a todas as pedras da calçada um sinal. Ele nunca lhe pediu nada! Nunca quis mais do que ela lhe poderia dar. Nunca a obrigou a nada. Nunca a pressionou. Nunca a forçou. Deu-lhe a liberdade que fazer o que quis. Voltou então a casa.

- Voltei. Estás melhor?
- Estou.
- Ena! Estás com bom feitio, estou a ver! Boa noite.

Vestiu o pijama e foi para a cama. Amanhã será outro dia.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Xiu!

Xiu! Não digas nada! Deixa-te estar aí minha estrela.

Eu sei! Eu sei! Eu conheco-te bem. Tu conheces-me muito bem. Por isso mesmo deixa-te estar! Estamos bem! Deixem-nos estar!

Fecha os olhos! Isso! Ah! Não vale estreitar! Isso. Fecha bem os olhos! Confia! Achas que te faria algum mal? Vá! Exacto. Deixa-te levar... Estás a ver o que eu vejo? Assim não vale! Tens de fechar mesmo os olhos...

OK! Outra vez! Deixa-te levar... Imagina um lugar encantado! Esse não! O outro onde estivémos ontem. Esse mesmo! (Ficas gira com esse sorriso doce e meigo, faz-me sonhar.) Estás a ver aquele brilho confortante lá ao fundo? Tenta apanhá-lo! Estica-te! Mais! Força! Tu consegues! Não o deixes fugir! Espera, eu ajudo-te! Vamos tentar apanhá-lo os dois! Dá-me a tua mão! (O teu toque acalma-me...) Vamos lá os dois! Mais rápido! Não podemos deixá-lo fugir! Ahhh! Ufa! Conseguimos! Eu disse-te! Este brilho aqui perto parece maior! Vamos guardá-lo no bolso. Sorri!

Vruum... O que é isto? Viste o que eu vi? Passou tão veloz... O que era? Vamos correr atrás? Bora? Ohh.. eram só dois miúdos a brincar! Mas repara no rapaz! É aquele puto dos caracóis! E a rapariga? Olha, é aquela dos olhos cor do fruto seco de São Martinho! Tão queridos...

Vá já chega! Abre os olhos! Não queres? Estás a gostar, é? Amanhã continuamos! Temos tanto tempo!

Adormece... Que sorriso lindo! Que doçura! Que beleza! Deixa-te estar aí! Adormece... Ficas linda quando dormes! Pareces uma criança! Tão querida! Ohh.. tanto mimo que tenho!

Fazes-me bem e eu adoro-te!

Descansa minha estrela.

Até já!