quarta-feira, janeiro 03, 2007

Um mimo

Este Natal não quis nada no presépio nem debaixo da árvore. Mas recebi tanto!

Foi um Natal diferente, onde o melhor presente que tive foi um sorriso de felicidade na tua cara. Estavas tão feliz!

Depois vieste ter comigo. Aconchegaste-te em conchinha perto de mim e ali ficámos os dois no mimo.

Xiu! Deixem-nos estar assim...

Feliz 2007

quarta-feira, dezembro 20, 2006

segunda-feira, dezembro 18, 2006

6º sentido

Existirá realmente um 6º sentido nas mulheres? Alguém duvida da sua existência? Serão as mulheres espias de Deus? Vou parar e reflectir. Até já.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Silêncio...

Xiu... O mundo precisa de um pouco de silêncio! Xiu...

Já volto.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Zzz..

Xiu! Não digas nada! Deixa-te estar aí!

Xiu! Não façam barulho! Deixem-nos!

Xiu! Já disse xiu!

Argh! Eu sei! Por isso mesmo, XIUU! Deixem-nos em paz!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Cena III

Sorriste-me e disseste: "Anda p'ra aqui! Está frio!"
Piii! Piii! Que raio?? Ahh... o despertador! Era o despertador. São 8 da manhã e tenho-me de levantar para mais um dia de trabalho!

Bem o sonho foi bom.

Cena II

(...) Nesse momento de redescoberta, sussurraste-me ao ouvido: tive saudades tuas.
As tuas palavras furaram-me os tímpanos como uma agulha afiada rebenta um balão de uma criança! Fiquei atordoado com esse sussurro! Afastei-me de ti um pouco e, quando senti a tua perna enleada a meu corpo, caí redondo no chão! Tu caíste comigo. Rimos tanto que parecíamos duas crianças e rebolar na areia molhada da praia. Como quem mergulha em ondas de 5 cm à beira-mar, fomos escorregando pelo chão frio. A sua temperatura arrefecia o ambiente escaldante. E nós, rindo. A nossa alegria iluminava a sala. O nosso riso ecoava por toda a casa. Já me doía a barriga de tanto rir. Tu estavas com aquela cara parva de felicidade... surpreendentemente parámos os dois de rir exactamente no mesmo segundo. Com uma expressão de cumplicidade arrebatadora, sorrimos os dois e abraçámo-nos. Um abraço profundo e tenro.

Levantei-me do chão. Dei-te a mão a puxei-te para o quarto ainda iluminado com as velas que me acompanhavam todas as noite ao deitar. O quarto cheirava a um misto de papoilas e castanhas. Estranhámos o odor, olhámo-nos e sorrimos.

Sem que eu desse conta, tiraste a blusa e a saia e enfiaste-te dentro dos meus lençóis. No meu olhar existia um sorriso. No teu um mistério. Sorriste-me e disseste: "Anda p'ra aqui! Está frio!"


Cena I

Senti-te chegar. Fechei o olhos e saborei o aroma que rasgava o ar frio deste inverno. Deixei-me estar de olhos fechados, não fossem os meus sentidos pregarem-me mais uma partida.

Pouco a pouco, o ar refeito ficou mais quente e cada vez mais arrepiante. Serias mesmo tu? Senti um toque doce no ombro. Aquele toque como quem me avisa para parar de dormir e acordar porque a realidade estava mesmo a acontecer. Não abri os olhos. Deixei-me estar.

As tuas mãos percorreram-me do ombro ao meu peito no deslizar suave e meigo. A tua respiração reprimiu a minha. Os teus lábios saborearam-me a nuca como se me quisessem acalmar a alma. Os teus seios abraçaram-me as costas num perdão sincero. A tua perna direita enleou-me a cintura e confundiu-me os sentidos.

Grito! Não quero acordar! Não quero acordar! Mas numa explosão de energia raivosa e zangada os meus olhos abriram-se! Voltei-me para ti para ver quem eras! Tinhas uma saia verde linda.

De forma natural a minha alma acalmou-se enquanto a minha respiração se tornava mais intensa e profunda. As minhas mãos pousaram nas tuas ancas. Foram os meus polegares quem primeiro sentiram a tua pele. Pouco a pouco, os outros dedos ciumentos, subiram pelas tuas costas. Fervíamos os dois de paixão mas não quisemos apressar nada. Puxaste-me para ti. A tua mão redescobria o meu corpo e as minhas, mais atrevidas, deslizavam para baixo até às tuas coxas. Por baixo da saia verde, as minhas mãos iam subindo enquanto o meu pescoço era atacado pela tua boca. Num gesto duro e seguro, apertei-te o ventre e um gemido preso quis-se soltar. Era um grito mudo que a tua voz doce queria libertar. Senti o fresco algodão das tuas cuecas. Senti-o quente e húmido. Nesse momento de redescoberta, sussurraste-me ao ouvido: tive saudades tuas.

domingo, dezembro 10, 2006

Ele tentou!

- O que tens?
- Já te disse que nada!
- Não me enganas! Eu conheço-te!
- Nada!
- Pronto, está bem não é nada!
- Sim, não tenho nada!
- Claro que não tens nada! Vou sair, vens?
- Não! Espera! Onde vais?
- Vou dar uma volta enquanto não te passa o "nada".
- Mas...
- Até já!
- Espera! É que estou assim...
- Assim como?
- Assim...
- Eu sei como é. Sei o que eu sentes! Até já.

Ele saiu. Deu uma volta pela cidade. Pediu a todas as pedras da calçada um sinal. Ele nunca lhe pediu nada! Nunca quis mais do que ela lhe poderia dar. Nunca a obrigou a nada. Nunca a pressionou. Nunca a forçou. Deu-lhe a liberdade que fazer o que quis. Voltou então a casa.

- Voltei. Estás melhor?
- Estou.
- Ena! Estás com bom feitio, estou a ver! Boa noite.

Vestiu o pijama e foi para a cama. Amanhã será outro dia.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Xiu!

Xiu! Não digas nada! Deixa-te estar aí minha estrela.

Eu sei! Eu sei! Eu conheco-te bem. Tu conheces-me muito bem. Por isso mesmo deixa-te estar! Estamos bem! Deixem-nos estar!

Fecha os olhos! Isso! Ah! Não vale estreitar! Isso. Fecha bem os olhos! Confia! Achas que te faria algum mal? Vá! Exacto. Deixa-te levar... Estás a ver o que eu vejo? Assim não vale! Tens de fechar mesmo os olhos...

OK! Outra vez! Deixa-te levar... Imagina um lugar encantado! Esse não! O outro onde estivémos ontem. Esse mesmo! (Ficas gira com esse sorriso doce e meigo, faz-me sonhar.) Estás a ver aquele brilho confortante lá ao fundo? Tenta apanhá-lo! Estica-te! Mais! Força! Tu consegues! Não o deixes fugir! Espera, eu ajudo-te! Vamos tentar apanhá-lo os dois! Dá-me a tua mão! (O teu toque acalma-me...) Vamos lá os dois! Mais rápido! Não podemos deixá-lo fugir! Ahhh! Ufa! Conseguimos! Eu disse-te! Este brilho aqui perto parece maior! Vamos guardá-lo no bolso. Sorri!

Vruum... O que é isto? Viste o que eu vi? Passou tão veloz... O que era? Vamos correr atrás? Bora? Ohh.. eram só dois miúdos a brincar! Mas repara no rapaz! É aquele puto dos caracóis! E a rapariga? Olha, é aquela dos olhos cor do fruto seco de São Martinho! Tão queridos...

Vá já chega! Abre os olhos! Não queres? Estás a gostar, é? Amanhã continuamos! Temos tanto tempo!

Adormece... Que sorriso lindo! Que doçura! Que beleza! Deixa-te estar aí! Adormece... Ficas linda quando dormes! Pareces uma criança! Tão querida! Ohh.. tanto mimo que tenho!

Fazes-me bem e eu adoro-te!

Descansa minha estrela.

Até já!

quinta-feira, novembro 30, 2006

Mão na mão

Era uma vez um rapaz de olhos castanhos como o fruto e uma menina de olhos verdes como os campos alentejanos de Março.

Estavam a brincar os dois aos castelos de areia numa praia do litoral virgem alentejano. O castelo era enorme: tinha 5 torres, um átrio muito grande e várias dúzias de janelas. Os meninos imaginavam-se como um cavaleiro e a sua princesa. Passavam horas e horas sem que se dessem conta.

Certo dia, uma onda desfez o castelo! Muito tristes bateram na água tanto tanto, que ficaram todos molhados e sujos de areia com os salpicos. O mar forte e revoltado nem se preocupou com o chapinhar das crianças... Os meninos olharam um para o outro e soltaram uma gargalhada sincera. Deram as mãos, caminharam um pouco pela beira-mar e escolheram outro sítio para construir um novo castelo. "Desta vez maior! Diferente! Mais forte!" - Prometeram um ao outro.

Felizes aqueles que têm alguém ao lado; que mão na mão vão crescendo juntos e sorrindo. Porque o mundo não é pequeno, mas imenso como o mar.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Porquê?

Sussuro o teu nome na bruma do anoitecer. Vou bem fundo cá dentro e sinto-te perto. Em todos os recantos vejo o teu nome escrito...

Chego a casa, tomo um duche rápido, faço a barba para amanhã ficar na cama mais 5 minutos, faço o jantar e sento-me a ver televisão. Nunca dá nada de especial a esta hora! Ligo o portátil e revejo fotografias nossas. Fumo um cigarro à janela. Vejo um casal a beijar-se num carro. Fez-me lembrar aquela noite na Ericeira. Era Inverno, o mar estava revoltado e nós dois dentro do carro a olhá-lo. Lembras-te desse fim-de-semana? Dormimos pela primeira vez em conchinha a tocar um no outro! Finalmente habituei-me a dormir com alguém! Tu sabes que tenho insónias e me custa adormecer.. Sentir-te perto de mim sabe-me bem. Sentir o calor do teu corpo, o mel dos teus lábios em cada beijo merecido e sentido. Abracei-te por trás e sussurei-te: “Amo-te!”. Tu moveste lentamente os ombros, num gesto de aceno, e com um sorriso no rosto, que não podia ver mas senti, disseste-me: “Eu também!” E ficámos ali até ao Domingo seguinte, como se nada mais nas nossas vidas nos importasse.

Voltámos para Lisboa! Trânsito insuportável! Eu odeio condutores de fim-de-semana! E tu também! A música no carro tem ritmo! Vamos cantalorando os dois durante toda a viagem de regresso passando por algumas praias da costa Oeste. Existem por aqui praias de nudistas, mas nós procurámos e não encontrámos nada!

Quando chegámos a Lisboa fomos passear pela baixa. Havia um grupo de miúdos a correr e a rir, fugindo da monitora desesperada com tantos e tão reguilas que eram. Sempre quisémos ter um filho! Com caracóis! Lindo como nós dois! “O nosso filho vai ter caracóis e olhos verdes!” dizes-me tu com um sorriso enorme.

Chegámos a casa e fui a casa de banho! Estava tão aflito! Quando chego à sala, tinhas apagado as luzes e estavas-te a despir por completo e em silêncio. Estupefacto, parei! A luz dos candeiros da rua que passa pela janela semi-cerrada contornava a tua silhueta de uma forma bela e única. Nua aproximaste-te de mim e despiste-me. Com uma voz sexy e doce pediste-me para te seguir até ao quarto. Mergulhámos um no outro de uma forma quente e apaixonante, louca e vertiginosa. Fizemos amor como nunca. Quando terminámos, os nossos lábios ardiam, o suor escorria nos nossos corpos. Fumámos um cigarro!

Olhei para ti e tinhas um ar estranho. “Conta-me o que se passa!”, pedi-te. “Fala comigo!”, implorei-te. Tu nem te esforçaste por um gesto, um mimo. Comecei a desesperar... Fitaste-me o olhar e soltaste tudo. Disseste-me, num discurso estudado, que tinhas dúvidas se me amavas. Que tinhas estado bem sem mim. Que não tinhas saudades minhas. Começaste a chorar e eu abraçei-te e disse-te que te amava, que tudo se iria resolver porque se tudo o que for mais sagrado e verdadeiro, o for de facto, será universal e intemporal. Não queria acredidar no que estava a acontecer. Levantaste-te, vestiste-te e partiste.

Durante semanas não soube de ti. A tua mãe ligou-me uns meses mais tarde a dizer que estavas no hospital e querias-me ver. Voei até Santa Maria. Querias falar comigo, mas eu cheguei tarde demais. Escreveste-me uma carta:

“Descobri que tinha uma doença incurável em fase terminal e não te quis preocupar. Quis-te poupar a todo o sofrimento de me veres morrer lentamente... Perdoa-me.
Contigo descobri o que é amar alguém e, por isso mesmo, deixei-te voar sozinho. Sei que vais encontrar alguém e dar-te da mesma forma extraordinária como te deste a mim.
Perdoa-me por tudo! Perdoa-me por ter de ser assim!
Amo-te.”

Hoje vejo-te em todos os locais, todos gestos e todos sons. E cada vez que te vejo, uma lágrima escorre-me pelo rosto.

Amo-te.


NOTA: Ainda bem que é só um conto! Ouch! É estranho que quando mais feliz e contente estou, mais triste é a minha escrita! Estranha coisa esta da mente!